As soluções estiveram em demonstração no estande do Espaço Inovação Futurecom 2016

 

Quero Vaga (sistema de monitoramento e gerenciamento de vagas de estacionamento públicas e privadas via web), Smart Environment, um dispositivo de monitoramento do meio ambiente (que mede e armazena informações) e UrbanTree (que monitora as árvores e auxilia no gerenciamento e planejamento de poda, além de identificar quais são as árvores mais críticas e que apresentam maior risco à sociedade) são as soluções selecionadas pelo Desafio IoT – Cidades Inteligentes – iniciativa que visa à capacitação de pessoas e empresas para promoção do empreendedorismo em Internet das Coisas (IoT) – que foram apresentadas no Futurecom 2016, realizado entre 17 e 20 de outubro, no Transamerica Expo, em São Paulo (SP).

Antes da abertura do Futurecom 2016, as soluções foram apresentadas à imprensa, em entrevista coletiva que contou com a participação dos representas de cada projeto e dos responsáveis pela sua realização ITS – Instituto de Tecnologia de Software, do CPqD e do Fórum Brasileiro de IoT. Lançado em outubro de 2015, o Desafio IoT contou com apoio da Informa Exhibitions e patrocínio da Toshiba e Telit.

Após as fases iniciais, em maio de 2016, uma comissão de especialistas analisou os oito projetos voltadas a cidades inteligentes e selecionaram quatro equipes, das quais três chegaram à reta final, que culmina com a apresentação do projeto no estande do Espaço Inovação Futurecom, conta José Vidal Bellinetti, diretor do ITS.

Vinícius Garcia de Oliveira, especialista em IoT do CPqD, comemorando os resultados, afirma: “por ser uma iniciativa totalmente nova iniciamos o desafio com grandes incertezas, não sabíamos se teríamos um número suficiente de inscritos e se chegaríamos ao final com projetos interessantes. Para nossa surpresa tivemos muitas pessoas interessadas e com excelentes currículos. Hoje, vendo os trabalhos apresentados e os grupos selecionados para exporem as suas soluções na Futurecom, tenho a certeza que propusemos o desafio no momento certo e que alcançamos todos os objetivos”.

Para Luís Veiga, diretor da Informa Exhibitions – o projeto foi “muito bem-vindo, pois contamos com organização e estrutura que permitiu apresentar empresas com muito mais maturidade para uma demonstração inédita no Futurecom, com as três soluções integradas. Existe uma sinergia do tema IoT, que é de interesse da indústria de tecnologia e das operadoras de Telecom, com o Futurecom. E a união disso com a iniciativa empreendedora foi positiva. Dessa forma também contribuímos para a capacidade empreendedora, com cunho social e estratégico”.

 

Seleção e capacitação

Do total de mais de 180 inscritos e 34 candidatos capacitados, esses três projetos foram escolhidos para se transformarem em protótipo de produto e estiveram expostos em estande localizado no Espaço Inovação do Futurecom 2016.

Ao longo dos 12 meses, entre o lançamento e a apresentação dos resultados, os participantes ­superarem várias etapas, incluindo curso EaD, minicurso de Project Model Canvas e apresentação dos projetos, tendo o desenvolvimento dos projetos e capacitação em metodologias de execução de projetos como meta. A isso somaram-se assessoria jurídica, assessoria empresarial, assessoria de imprensa e, principalmente, aconselhamento e tutoria que proporcionaram melhorias no projeto durante todo o percurso.

 

Processo é aprovado pelos selecionados

No total, foram 12 meses de dedicação, reflexão e estudos, permeados por momentos de alegria, angústia e ansiedade, que se reverteram em produto capaz de se integrar a cidades e à vida das pessoas, com resultados positivos para todos. O auge do processo para os participantes foi a presença no Futurecom 2016.

 

Futurecom: sonho concretizado

Para Maycow Berbert, da Treevia – desenvolvedora da solução Urban Trees – “o Futurecom foi um sucesso ao longo de toda a semana intensa de muito aprendizados para toda a equipe da Treevia. O espaço cedido as ganhadoras do prêmio Desafio IoT Brasil nos permitiu a obtenção de feedbacks e insights necessários para aprimorarmos nossa solução e nos possibilitou aumentarmos nossa rede de contatos com expectativas muito promissoras para fecharmos negócio”.

Diferentemente da Treevia, que já existia como startup instalada no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), a IoT4Life foi criada objetivando a participação do Desafio IoT. Seu idealizador – Guilherme Poloni Segundo – recorda que procurou escolher, entre as pessoas de seu relacionamento, aquelas que completavam os conhecimentos e habilidades necessárias para que a solução e a empresa se tornassem realidade: “busquei profissionais com foco em hardware, software e design, mantendo comigo a gestão da empresa”, comenta.

Os resultados coletados no Futurecom são comemorados: “ tivemos contatos excelentes com pessoas de todos os segmentos possíveis, como clientes, investidores, empresas, incubadoras e amigos. Nossa projeção para o futuro é de contratos e pilotos”, relata Poloni, frisando sua alegra em poder “demonstrar o que fizemos e ver como as pessoas gostaram”.

Três empresas, três realidades diferentes. No caso da solução Quero Vaga, a reunião para o Desafio IoT foi de duas empresas fundadas há cerca de cinco anos, uma no interior de São Paulo (Ribeirão Preto) e outra na cidade do Rio de Janeiro (RJ), respectivamente Innowatt e Innasa Rio.

Responsável pela ideia e pelo software, a Innasa Rio tem à frente Michel Castro, que resume o período do Desafio ioT como “um ano desafiador, porque entrei em um evento como esse e, inicialmente, não enxerguei o quanto de benefício iria obter. A experiência e a oportunidade de encontrar outras empresas que buscam inovação como a minha, e o desafio que isso pode proporcionar é imenso”, comemora. Como exemplo, cita a própria parceria com a Innowatt que – está convicto – não teria acontecido sem o Desafio IoT. “Dificilmente teríamos nos conhecido. Então, a oportunidade de encontro entre duas empresas com soluções tão diferentes que se encaixam e formam uma solução única, em parceria, é impagável”, afirma.

Parceiro da Innasa Rio no projeto,­ Alexandre Capucho, da InnoWatt – empresa que respondeu pelo hardware do Quero Vaga ­– também destaca o ineditismo do processo, que propiciou “oura visão de negócios para produtos de IoT. Não atuávamos com IoT, e a experiência de participar do Futurecom foi muito boa, além de ser nossa primeira participação nesse tido de evento. Os resultados obtidos superaram nossa expectativa”, informa.

 

Presente e futuro

Acreditando que o Desafio IoT surgiu em um ótimo momento e falando sobre a crescente quantidade de objetos conectados à internet, Maycow Berbert inclui as florestas nessas conexões e destaca, durante o processo do Desafio IoT, as mentorias recebidas que, garante, “foram de muita valia e nos auxiliaram a enxergar um outro nicho de mercado, além daquele que havíamos inicialmente enxergado, o de florestas plantadas”.

Para Guilherme Segundo, os treinamentos, a consultoria e as reuniões com os mentores também precisam ser destacados como diferencial de todo o processo, assim como a troca de experiências entre todos os que participaram do Desafio IoT, mesmo os que não foram selecionados. O resultado para ele configura-se em “aproximação ao mundo do empreendedorismo, com redução da postura corporativista que usualmente marca nosso dia a dia profissional. O contato com pessoas experientes ao longo de todo um ano foi muito bom e importante no nosso caso, para nos dar tempo para amadurecer e estruturarmos a empresa, e o crescimento resultante desse processo é imensurável”, comenta, fazendo projeções para o futuro: “Queremos ver outras feiras de IoT e detectarmos modos de contribuição para dar continuidade”.

O idealizador da IoT4 Life também pede a manutenção do grupo de empreendedores e mentores que conviveu a longo de 12 meses. “É importante ter uma nova fase, com encontro periódicos, mesmo que virtuais entre o grupo, para acompanhamento do nosso desenvolvimento por essas pessoas e instituições que nos ajudaram a chegar até aqui”, reivindica.

“Faria tudo de novo, pelo aprendizado, pelo network e pela mentoria”, assegura Michel Castro. “Participar desse projeto me fez melhor como pessoa e como profissional. Foi uma mudança de vida. E estar no Futurecom deu-me a certeza de que nossa solução é boa e de que faremos negócios com ela. Agora, são novos desafios e inúmeras possibilidades de conquistas”, destaca.

Essa posição, confirmada por Alexandre Capucho, da Innowatt, para quem o ano de trabalho em equipe mostrou uma nova maneira de enxergar o mundo dos negócios. “Sempre trabalhei relativamente sozinho, e a união com a Innasa e o ITS mostrou que em parceria fica mais fácil atingir os objetivos. Por isso, acredito no futuro do projeto e que os resultados serão maiores do que esperávamos”, resume.